Bertha Lutz (1894–1976) foi uma das figuras mais extraordinárias da história brasileira, unindo uma carreira científica brilhante ao pioneirismo na luta pelos direitos das mulheres. Filha do cientista Adolfo Lutz, ela se formou em biologia pela Sorbonne, em Paris, e tornou-se uma das primeiras mulheres a ingressar no serviço público federal no Brasil, trabalhando como pesquisadora no Museu Nacional e especializando-se no estudo de anfíbios.
Sua maior marca, no entanto, foi na política. Em 1919, Bertha fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, liderando a campanha que resultou na conquista do voto feminino em 1932. Como deputada, ela defendeu pautas então revolucionárias, como a igualdade salarial e a licença-maternidade.
Seu impacto cruzou fronteiras: em 1945, Bertha foi uma das poucas mulheres na conferência de fundação da ONU, onde lutou obstinadamente para que a igualdade de gênero fosse incluída explicitamente na Carta das Nações Unidas. Reconhecida como a "mãe do feminismo brasileiro", Bertha Lutz dedicou sua vida a provar que o lugar da mulher é em todos os espaços, da ciência ao alto escalão da diplomacia mundial.